Dopamine Fasting: definições, técnicas e relato de experiência

A idéia é redefinir meu sistema motivacional e aprender a me concentrar em quem eu realmente sou, em vez de gastar meu tempo com TV, mídias sociais, comida e coisas do tipo. — Greg Kamphuis, criador do desafio da dopamina (http://dopaminechallenge.com) Photo by processingly onUnsplash Nota: Eu tenho me interessado por biohacking e experimentado algumas coisas. Hoje eu gostaria de compartilhar um pouco dos meus estudos e primeiras experiências com o Dopamine Fasting. O texto é focado em redes sociais por um único motivo: é o “vício” que mais me incomoda pessoalmente. Mas a filosofia por trás do dopamina fasting pode ser aplicada a qualquer comportamento obsessivo (açúcar, compras, drogas, masturbação, jogos e etc). No final, o objeto não importa. Qual a primeira coisa que você faz quando acorda? Checa suas redes sociais? Entra no buracro negro dos stories? Responde as mensagens da noite seguinte? Vê se vai chover em São Paulo? Se quando você acorda, a primeira coisa que faz não é checar redes sociais, quanto tempo demora para você para se conectar? As redes sociais ganharam notoriedade e bilhões de usuários porque elas foram desenhadas para o vício. As mensagens, curtidas e comentários são responsáveis por liberar dopamina, gerando felicidade momentânea. No vídeo abaixo, Tristan Harris, design de ética do Google, fala um pouco sobre a adicção dos dispositivos e a Vox dá algumas de como controlar os vícios nas redes sociais. Economia da Atenção Usando a internet de forma ininterruptamente, acabamos esquecendo o óbvio: um foco produnfo é muito importante. Sempre que nos distraímos, nossas redes neurais precisam ser religadas, iniciando o trabalho do zero.Alternar atividades pode ser mais caro para nossa produtividade do que imaginamos. Se nos distrairmos de 5 minutos, não estamos só perdendo estes minutos, mas horas de trabalho. Checar as redes sociais coloca nosso cérebro no looping de alternância de atividades, diminuindo nossa capacidade de concentração no longo prazo. Atualmente, eu sinto certa dificuldade de ler literatura ou qualquer gênero que não “suporte” leituras dinâmicas e requeiram imaginar cenários. A verdade é que: “Se você não consegue se concentrar, você é realmente estúpido”. - Serge Faguet Na economia da atenção, estamos travamos uma luta com grandes corporações pela liberdade de escolher em que vamos nos concentrar. E nós estamos perdendo. Mas o dopamina fasting está aí para nos ajudar a lidar com nossos comportamentos obsessivos e recuperar nossa atenção. Por que o Dopamine Fasting é necessário? Um estudo da Experimental Economics analisou 1765 usuários do Facebook para compreender como a plataforma afetava a saúde e bem estar das pessoas. O resultado mostrou que aqueles que ficaram em jejum do Facebook por uma semana, reduziram significativamente os sintomas depressivos e aumentaram seus comportamentos saudáveis. Mas o Facebook não é a pior rede social quando a questão é ansiedade ou depressão. A pesquisa Status Of Mind, desenvolvida pela instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health em parceria com a Young Health Movement (YHM), analisou inúmeras redes sociais e o Instagram foi avaliado como a rede mais prejudicial à mente dos jovens. No relatório, ansiedade, depressão, problemas com sono e transtornos de imagem são alguns dos efeitos negativos que resultam do uso abusivo das redes sociais. m resumo, apesar dos benefícios evidentes da sociedade conectada, notificações e redes sociais podem ser sugadores de tempo e energia e desencadear problemas psicológicos. Mas o que é o Dopamina Fasting? A Dopamina é um neurotransmissor que faz parte de um sistema complexo de aprendizado, memória e motivação baseado em recompensa. Quando realizamos atividades prazerosas como encontrar amigos, comer nossa comida favorita ou receber likes, nosso cérebro libera uma dose de dopamina e associa o bem estar ao contexto. O resultado é que aprendemos a buscar aquele estímulo novamente. A busca pelo prazer obviamente não é um problema. O problema é o vício em prazeres recorrentes que nos impedem de realizar outras atividades. A questão NÃO é reduzir a quantidade de dopamina, mas reduzir o comportamento obsessivo. Tanto o jejum intermitente como o dopamine fasting são estratégias eficazes para eliminar o comportamento repetitivo e obsessivo, seja da comida ou dos aplicativos. O dopamina fasting pode ser visto como um método de desintoxicação e reinicialização dos nossos hábitos. E é muito curioso quando realmente paramos para pensar sobre a química do nosso cérebro e corpo. Dopamine Fasting e a Flexibilidade Comportamental Quando uma pessoa jejua por mais de 12 horas, o corpo muda sua fonte primária de energia de glicose para cetose, um estado metabólico no qual podemos aproveitar grande desempenho físico e mental. Com a difusão da ideia de que precisamos sempre comer de 3hrs em 3hrs, a maioria das pessoas talvez nunca aproveite desse estado. Acredito que o mesmo ocorra com o vício nas redes sociais. Como estamos sempre conectados, deixamos de desfrutar o benefício de longos períodos de reflexão e produção ininterrupta. Todas essas experimentações e biohackers de privação tem como objetivo induzir uma flexibilidade comportamental. Quando controlamos nossos impulsos automáticos e não olhamos uma notificação, podemos experienciar sentimentos de grande ansiedade, mas, quando não recompensamos esse sentimento com o comportamento obsessivo natural (olhar a notificação), enfraquecemos o condicionamento dessa atividade. No jejum (de qualquer coisa), escolhemos nos expor a sentimentos desconfortáveis sem ceder à sua tentação, quebrando ciclos vicioso. A idéia é simplesmente recuperar o controle sobre nosso corpo e pensamentos, deixando de recorrer aos nossos métodos habituais de fuga. Com isso, podemos aumentar nossa resiliência, autocontrole e diminuir a ansiedade do dia adia. Como praticar o dopamine fasting Mas, o dopamine fasting não é apenas sobre privação. [rivar-se de uma atividade prazerosa não é efetivo no longo prazo, é necessário ensinar seu cérebro sobre a nocividade de determinada atividade. Por iso, ai vai algumas dicas para acabar com comportamentos obsessivos gerais: Realize auto análise: pense sobre o que te faz buscar determinada atividade de forma recorrente, sobre como você se sente durante, logo após e como se sente ao privar-se de determinada coisa/ação. Identifique a fronteira entre o benefício e o prejuízo. Quando percebemos que uma atividade nos faz mal, é mais fácil largá-la. Faça exercícios imaginativos: identifique os padrões. Quando você busca o comportamento obsessivo? O que ele te impede de fazer? Se você não tivesse esse hábito, o que poderia ter feito? Quais objetivos poderiam ter sido alcançados? Pergunte-se: isso realmente merece minha atenção ou é apenas uma forma de interromper e procrastinar minhas atividade? Se você conseguir se convencer, a aversão será natural. Faça uma contra oferta ao seu cérebro: encontre atividades exploratórias não habitáveis capazes de recompensar seu cérebro. Aqui, você tem toda liberdade do mundo para ser criativo. Durante o jejum, saia para explorar sua cidade, teste exercícios novos, saia para dançar sozinho, termine um projeto que a tempos está deixado de lado. Recompense seu cérebro com doses de dopamina que não sejam derivadas de comportamentos obsessivos e que de preferência sejam incompatíveis com a atividade obsessiva. Estratégias de dopamina fasting específicas para o digital: Não disponível para não humanos: Desligue todas as notificações não humanas do seu celular. A previsibilidade ajuda a eliminar a dependência. Deixe seu celular e notificações com cores frias. A maneira mais fácil de atrair a atenção dos olhos em uma tela é através da cor. Os olhos humanos são sensíveis a elas, principalmente o vermelho brilhante. É possível neutralizar essa distração selecionando o filtro cinza dos dispositivos. Limpe a casa: deixa em sua tela inicial apenas os aplicativos que são essenciais para suas atividades diárias (como calendário, mapa, agenda). Ou aqueles que podem aumentar sua produtividade. Não deixe aplicativos que contenham botões de rolagem infinita. Elimine possíveis sugestões para sua mente. Organize momentos digitais: eu tenho tentado criar blocos de atividades. Por exemplo, deixo momentos específicos no meu dia para responder redes sociais, ler notícias e ter pausas. Obviamente há muitas outras estratégias que podem ser utilizadas. O ponto principal é estar sempre buscando identificar aquelas coisas que causam distrações e neutralizá-las. Lembre-se, a questão não é se abster daquilo que dá prazer, mas substituir comportamentos obsessivos por práticas mais saudáveis. Relato de experiência: afetividade digital, solidão produtiva e a liberdade Fiquei sozinha um domingo inteiro. Não telefonei para ninguém e ninguém me telefonou. Totalmente só. Fiquei sentada num sofá com o pensamento livre. Mas no decorrer desse dia até a hora de dormir tive umas três vezes um súbito reconhecimento de mim mesma e do mundo que me assombrou e me fez mergulhar em profundezas obscuras de onde saí para uma luz de ouro. Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo. - Clarice Lispector. Modificar um comportamento em relação às redes sociais também resulta em mudanças na forma com que nos relacionamentos. Essa talvez esteja sendo meu maior aprendizado. Quando a internet não existia, nossa presença era relativamente binária: ou estávamos presentes ou não estávamos (não entrarei no mérito de um corpo com uma ‘‘cabeça em outro lugar’’). Com as redes sociais, as pessoas estão sempre presentes e ausentes ao mesmo tempo. Agora, nós podemos sempre nos conectar com qualquer pessoa, em qualquer lugar e tempo. Mas não sabemos se essa pessoa está presente ou ausente. E essa incerteza pode causar grande ansiedade, principalmente quando gostamos da pessoa ou precisamos que ela nos responda. O impacto dessa presença/ausência em nossas relações interpessoais é drástico. Como todo mundo está perdidamente apaixonados por dispositivos, é como se estivéssemos o tempo todo disponíveis para todas as relações. Se você está online e não responde, obviamente você tem um problema e é um cara ruim. Mas a realidade é que todos nós precisamos de momentos de silêncio e de profunda conexão e reflexão. Estar o tempo todo disponível para tudo é não estar disponível nunca para nada. Nas últimas semanas, eu realizei jejum de alimentos por 24 horas e busquei minimizar oa máximo meu uso de redes sociais por pelo menos uma vez por semana, normalmente às segundas-feiras. Eu estou me sentindo bem menos afetada pelas redes sociais, mas também muito mais confortável com estar sozinha. Mas isso tem resultado em alguns “problemas” sociais, expressos na cobrança da minha (falta) de efetividade digital. Apesar de não ter chegado a uma conclusão sobre a questão, o dopamina fasting tem a inesperada consequência de me fazer apreciar com muito carinho aquelas relações que reconhecem e aceitam meu espaço e tempo.

Não perca as tendências 

que perturbam a sociedade 

RROMANO

Site
Olá,👋  
vamos conversar? 
Redes Sociais
  • Instagram
  • White LinkedIn Icon
  • White Facebook Icon
  • White Twitter Icon